Muitas vezes a dor vem da ausência de movimento. E com ajustes mínimos no jeito de se mexer a gente consegue resultados muito interessantes na diminuição da dor1. Eu não entrego um programa pronto: olho a particularidade da empresa, como se produz, quem são as pessoas, o que cada função pede do corpo. Na capacitação, cada um aprende o que é mais adequado para o seu corpo, segundo a sua função, as suas características e a sua dor. E passa a usar o movimento a seu favor.
A pessoa é um todo. Menos dor já melhora o humor. E o movimento, por si, mexe nos mensageiros químicos que regulam como a gente se sente. A evidência aqui é forte: atividade física é uma das ferramentas com mais respaldo para depressão, ansiedade e sofrimento psíquico em adultos34. Não precisa ser academia. Práticas breves, encaixadas na rotina, já interferem nos estados de humor, e isso aparece na adesão e na satisfação com o trabalho. Serve também como prevenção da exaustão, que é o centro do burnout5.
O movimento na hora certa ajuda a gerir o estresse do dia, porque atua sobre o sistema nervoso autônomo, aquele que a gente não controla diretamente, mas que responde a práticas físicas muito pontuais. O sono vira um termômetro do dia vivido: quanto mais coerente foi a produção com a prática física, melhor o sono8. E quem se mexe pensa com o corpo a favor: a função executiva, que é atenção, foco e flexibilidade para trocar de tarefa, responde ao exercício67. É daí que vem a produção cognitiva e social de cada um.
Quem é Leonardo Schneider
Fisioterapeuta e osteopata, com 18 anos de consultório e um amplo estudo do movimento em cenários muito diferentes: do atleta ao trabalhador de fábrica, do escritório ao bebê e ao idoso. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pela UFSC, onde desenvolveu formas de reduzir dor, afastamento e uso de remédios, e de aumentar a qualidade de vida em diferentes cenários. Atua com intervenções em ambientes empresariais, capacitações e palestras.
É dessa experiência que vem a capacidade de perceber onde e quando somos mais eficazes na mudança de comportamento de cada pessoa e de cada grupo: qual ajuste, em que quantidade, segundo as características de cada um. É isso que torna a indicação assertiva, e é isso que faz o tempo investido no movimento valer.
Entender o que deve ser feito e não conseguir fazer é normal. É esperado. Por isso a capacitação atua no comportamento e facilita a mudança.
Esse dado a gente já conhece: a maioria das pessoas não consegue mudar um comportamento sozinha. Então eu uso estratégias cognitivo-comportamentais aplicadas ao ambiente de trabalho para quebrar essa barreira, com ajustes mínimos, dentro da rotina de cada setor. A ideia é que cada pessoa se torne o próprio fisioterapeuta. Escrevi sobre isso no blog.