Dores · Joelho
Dor no joelho: artrose, menisco e o que fazer para seguir ativo
O sinal de melhora não está no exame. Está na escada, no agachamento, na caminhada.

Em 30 segundos
- Desgaste no exame do joelho é comum, inclusive em quem não sente nada.
- Antes de parar de fazer algo por causa da dor, tente melhorar o joelho para fazer. Abandonar a função alimenta o ciclo de fraqueza e mais dor.
- O joelho melhora com carga bem dosada e repetida com consistência: pouco ângulo primeiro, mais depois. Caminhar, pedalar e nadar fazem parte.
- O sinal de melhora é a função: subir a escada, agachar, caminhar.
Na maioria das vezes, dor no joelho não é sentença, nem caminho certo para a cirurgia. O joelho é feito para receber carga, e responde quando ela é bem dosada: educação e exercício estão no centro do tratamento1,2. O que mais atrapalha costuma ser o contrário: parar de fazer o que dói, perder força e, com o tempo, sentir mais dor. Na avaliação de osteopatia e fisioterapia, em Florianópolis ou por teleconsulta, eu procuro o que está pesando no seu joelho e qual carga ele já consegue receber.
Quem chega com dor no joelho?
No consultório, chegam principalmente três tipos de pessoa. Quem quer se manter ativo e acabou entrando em conflito com o joelho: na corrida, na academia, no esporte. Quem está mais parado e já tem um conflito funcional: dói para subir escada, para levantar da cadeira, para caminhar. E quem é mais velho e recebeu o diagnóstico de artrose.
O joelho tem diferentes causas de dor: a frente do joelho, o tendão, o menisco, a artrose. Cada uma pede uma estratégia, e às vezes a dor nem nasce no joelho. Mas o objetivo é o mesmo: dar ao seu joelho a melhor qualidade possível para viver uma longa vida.
O que o exame do joelho mostra, e o que não mostra?
Eu enxergo o joelho como uma ampulheta da vida. Ele vai se desgastando naturalmente ao longo dos anos. A gente tem que dar a melhor qualidade para ele, para que ele resista a esse desgaste e siga funcional.
Por isso o desgaste no exame assusta mais do que deveria. Em adultos com 40 anos ou mais, sem dor e sem nenhuma lesão no joelho, a ressonância mostra defeito de cartilagem em cerca de 4 em cada 10 e lesão de menisco em cerca de 2 em cada 103. São achados de quem vive, como rugas por dentro.
A melhor maneira de saber se você está fazendo as coisas certas não é o exame. É ver se você está explorando o joelho nas suas diferentes capacidades, como força e arco de movimento, e se não está abandonando as funções.
Dói para subir escada ou caminhar: devo parar?
Não dá para simplesmente dizer: não vou mais caminhar. Você tem que tentar fazer antes de parar de fazer qualquer função. Se você não está caminhando porque tem dor, ou não está subindo ou descendo escada, o caminho não é desistir. É aumentar a sua capacidade física, para que essa função volte a ficar sem dor.
Quando se abandona a função, entra um ciclo vicioso: a evitação traz perda de força, a perda de força traz mais dor, e daqui a pouco você está mais limitado. Os estudos mostram o mesmo desenho: quem tem mais medo de se mexer costuma ter mais dor e mais incapacidade4. O foco é manter a função.
Como o joelho ganha força: carga, ângulo e consistência
O joelho é uma estrutura que recebe carga. Ele tem que saber receber carga e relaxar; ser agredido, entre aspas, e contrapor. A melhor forma de manutenção é encontrar o estresse mais controlado, e com variações, que o seu joelho consegue receber e ao qual consegue se adaptar.
Por isso a exposição gradual é uma das coisas mais importantes. Vai agachar? Agachamento completo logo de cara, não. Comece com pouco ângulo. Quando conquistar estabilidade no ângulo mais curto, vá descendo, ganhando arco de movimento, e observe como o joelho fica no dia seguinte.
A dor pode aparecer. O principal é que ela não vá piorando, e geralmente a gente consegue achar uma forma de trabalhar sem que ela piore. Numa revisão de estudos, permitir alguma dor durante o exercício não atrapalhou o resultado5. Em alguns casos, como no tendão do joelho do saltador, é melhor ter um certo grauzinho de dor: o tendão reage melhor a uma carga bem específica, que vai sendo aumentada aos poucos6,7. Outros tipos de joelho dá para trabalhar praticamente sem dor.
O joelho precisa de força e de arco de movimento, e força se ganha repetindo. Ser consistente é importantíssimo: bater na mesma tecla, algumas vezes, para ir ganhando gradualmente. Na artrose, é o exercício que as diretrizes colocam no centro do tratamento1,2. E isso vai repercutindo na sua saúde como um todo. Cada fase tem a sua estratégia: no início é uma coisa, depois você vai se expondo a mais. E parte do trabalho é você saber qual é o tempo esperado para o seu caso.
“O sinal de melhora do joelho é a função.”
Agora eu estou subindo escada. Agora eu estou conseguindo agachar. É isso que eu acompanho de uma consulta para outra.
Lembro de uma pessoa que chegou caminhando muito mal. Fomos trabalhando, ela foi ganhando força, gradualmente, e voltou a caminhar. Por isso voltou a fazer viagens. Era alguém que não viajava mais, e hoje viaja e adora viajar. É isso que é legal.
Não é só força
O treino cardiovascular pesa muito no joelho com artrose: numa comparação de 103 estudos, o exercício aeróbico, como caminhar, pedalar e nadar, foi o que mais reduziu a dor, junto com práticas como tai chi e ioga; o fortalecimento veio logo atrás18. Programas de um tipo só, feitos com supervisão três vezes por semana, rendem mais do que misturar muita coisa19. O movimento repetido e ritmado também nutre a cartilagem, que depende dele para se lubrificar. Por isso caminhar, pedalar e nadar entram no plano, e não só o agachamento.
O joelho não trabalha sozinho
Às vezes a dor que aparece no joelho é referida e está escondida em outro lugar. Pode ser a mecânica do tornozelo ou do quadril, ou a inervação que vem da coluna lombar. Pode ser um déficit de força em outra parte do corpo que acaba se colocando no joelho. Num estudo pequeno, quase metade das pessoas com artrose de quadril sentia dor abaixo do joelho8.
O joelho sofre muito quando existem torções sobre ele. São somatórias torcionais, e muitas vezes dá para controlá-las trabalhando outra estrutura. Fortalecendo o quadril, por exemplo, você pode melhorar o seu joelho. Na dor da frente do joelho, somar exercícios de quadril aos de joelho reduziu mais a dor do que trabalhar só o joelho9,10. O joelho é uma questão integrada, como tudo.
Eu corro e o joelho dói. Tenho que parar?
Não necessariamente. Correr, por si, não condena o joelho. Numa revisão de 25 estudos, a artrose de quadril ou de joelho apareceu em 3,5% dos corredores recreativos, contra 10,2% dos sedentários11. São estudos que mostram associação, não causa. Quando dói, a gente faz uma estratégia de progressão de carga, um estudo bem específico da osteopatia e da fisioterapia, para que você fique mais forte e siga correndo.
E o peso do corpo?
O grande segredo aqui do consultório é o básico muito bem feito, com as suas diferentes variáveis: carga, arco de movimento e as outras partes do corpo em dia, como tornozelo, quadril e coluna lombar. Depois entra o controle de peso, quando ele gera sobrecarga no joelho. Num estudo de 18 meses, quem perdeu em média 11% do peso e fez exercício teve menos dor e melhor função do que quem fez só a dieta ou só o exercício12. O controle do peso vem junto com a prática física. Dentro da prescrição de exercícios dá para aumentar o seu gasto calórico e somar as duas coisas no mesmo tratamento: controle de peso, melhor saúde articular e mais força.
PRP no joelho: quando ele entra?
O PRP, plasma rico em plaquetas, é preparado a partir do seu próprio sangue e aplicado no joelho. A ideia é concentrar substâncias que participam da resposta do tecido e ajudar a acalmar um joelho irritado.
Eu uso o PRP no meu consultório, e passei por isso no meu próprio joelho: estava inchado, com uma sinovite, e depois do PRP a sinovite diminuiu muito. Hoje não tenho. É a minha história, não uma previsão para o seu caso. Em alguns pacientes ele funciona bem, principalmente no joelho irritado: uma sinovite, um cisto de Baker que incomoda por causa da sinovite. Tratando a irritação, o incômodo diminui.
Mas o PRP não é o começo do tratamento. Ele entra em casos selecionados, depois da avaliação, dentro da habilitação registrada no CREFITO-10, como recurso complementar, para somar quando a carga e o fortalecimento já estão no lugar.
Dor no joelho precisa de cirurgia?
A cirurgia a gente indica quando o joelho não evolui com todo o resto bem feito. Na lesão de menisco por desgaste, a cirurgia para retirar parte do menisco não foi melhor que uma cirurgia simulada13. E 12 semanas de exercício supervisionado tiveram o mesmo resultado que a cirurgia em dois anos, com mais força na coxa14. Uma diretriz internacional recomenda não fazer artroscopia na maioria dos joelhos com desgaste15.
Se a cirurgia for o caminho, como numa prótese, vir antes é muito bom. É a pré-reabilitação: você chega à cirurgia com mais força e mais arco de movimento, e isso ajuda na recuperação16.
Quando a dor no joelho pede atenção imediata?
Na dúvida, pode vir. Na consulta, eu avalio esses sinais e, se algum pede outra investigação, encaminho para o médico certo.
Como é a avaliação do joelho com osteopatia e fisioterapia em Florianópolis
Começa pela história: quando a dor começou, o que piora, o que melhora e o que você deixou de fazer. Depois eu testo força, arco de movimento e as funções, como agachar, subir um degrau e apoiar numa perna só. Olho também o tornozelo, o quadril e a coluna lombar. Se for no consultório, posso usar o ultrassom para ver os tecidos. E procuro, ali mesmo, a carga que o seu joelho já aceita.
Você sai com a consulta gravada, com os exercícios e como seguir em casa, na academia e no esporte. Também por teleconsulta.
Perguntas frequentes
Artrose no joelho tem cura?
O desgaste que aparece no exame não volta atrás. Mas a dor e a função podem melhorar muito: o exercício está no centro do tratamento da artrose, e muita gente com o mesmo exame vive sem dor. O objetivo é dar ao joelho a melhor qualidade possível para seguir funcional.
Posso agachar com dor no joelho?
Em geral, sim, com pouco ângulo no começo. Quando conquistar estabilidade no ângulo mais curto, vá descendo aos poucos e observe o dia seguinte. A dor pode aparecer; o principal é que ela não vá piorando.
Dói para subir escada. Devo evitar?
Antes de parar, tente fazer. Evitar a função traz perda de força, que traz mais dor e mais limitação. O caminho é aumentar a capacidade do joelho para que a escada volte a ficar sem dor.
Correr faz mal para o joelho?
Correr, por si, não condena o joelho. Numa revisão de 25 estudos, a artrose apareceu em 3,5% dos corredores recreativos e em 10,2% dos sedentários. Quando dói, o caminho costuma ser ajustar a progressão de carga, não parar de vez.
Menisco rompido precisa de cirurgia?
Na lesão de menisco por desgaste, na maioria dos casos, não. Doze semanas de exercício supervisionado tiveram o mesmo resultado que a cirurgia em dois anos. A cirurgia entra quando o joelho não evolui com todo o resto bem feito.
PRP funciona no joelho?
Em casos selecionados, depois da avaliação, ele pode ajudar como recurso complementar a acalmar um joelho irritado, como numa sinovite. Não substitui o fortalecimento e a carga bem dosada.
Posso começar o tratamento antes de ir ao médico? Preciso de pedido médico?
Sim, pode começar. A avaliação é marcada direto, sem pedido médico. Numa revisão de 21 estudos, o acesso direto ao fisioterapeuta teve resultados clínicos semelhantes aos de quem passou antes pelo médico, com menos exames e remédios e sem sinal de mais riscos17. Se tiver exames, traga: eles são lidos junto com a avaliação clínica.
Dá para avaliar o joelho por teleconsulta?
Sim. Por vídeo eu faço a história e os testes de movimento: agachar, subir um degrau, apoiar numa perna só. Você sai com a consulta e os exercícios gravados, e sabendo como progredir a carga em casa, na academia e no esporte.
Qual a diferença entre osteopatia e fisioterapia no tratamento?
Na consulta eu uso as duas juntas. A osteopatia olha o corpo inteiro e a vida que ele leva: o que piora, o que alivia, sono, trabalho. A fisioterapia cuida da progressão do movimento: qual exercício, com que carga, em que ritmo. A ideia é você sair sabendo o que fazer e por quê.
O atendimento é por convênio?
O atendimento é particular. Alguns planos de saúde reembolsam consultas: vale conferir as regras do seu.
Referências científicas
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Quem escreveu
Leonardo Schneider, PhD
Osteopata D.O., fisioterapeuta desde 2009, mestre e doutor em Saúde Coletiva pela UFSC. Atende no Clube ASTEL, sala 7, R. Eduardo Gonçalves d'Ávila, 150, Itacorubi, Florianópolis/SC, e por teleconsulta.
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Antes de parar de fazer, tente fazer.
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