Dores · Sono
Qual o melhor travesseiro? O que a ciência diz e como testar o seu
O melhor travesseiro é aquele com que você acorda melhor. E dá para testar.

Em 30 segundos
- A ciência não chegou a um travesseiro que seja melhor que todos, para todo mundo.
- O melhor é aquele com que você acorda melhor: mais disposto, com o pescoço mais solto e menos dor.
- Teste de manhã: gire o pescoço para os dois lados, olhe para cima e para baixo, e compare de um travesseiro para outro.
- Ao longo da noite, mudar de posição é bom. Ter alguns travesseiros ajuda.
Não existe um travesseiro perfeito, melhor que todos, para todas as pessoas. O melhor travesseiro é aquele com que você acorda melhor, e o seu teste vale mais do que qualquer recomendação que se diga soberana sobre o resto. É o que eu digo no consultório de Osteopatia e Fisioterapia, em Florianópolis e por teleconsulta. Abaixo, o que os estudos mostram e como fazer o seu teste.
Existe um travesseiro melhor que todos?
Até onde a ciência chegou, não. Uma revisão de 2025, em pessoas com dor crônica no pescoço, não encontrou nenhum tipo de travesseiro, de látex, de espuma ou comum, claramente superior aos outros1. Outra revisão, que juntou estudos de vários tipos, achou uma vantagem pequena para os travesseiros de látex na dor do pescoço e na dor ao acordar, e nenhuma diferença na qualidade do sono. O que mais mudou o alinhamento do pescoço foi a altura e o formato do travesseiro, não o material2.
Dois estudos ajudam a entender isso na prática. Num deles, pessoas sem dor, que dormem de lado, testaram cinco travesseiros, um por semana: o de látex foi o que deu menos dor de cabeça e menos dor na região da escápula e no braço ao acordar; o de pena foi o pior; e o de espuma com formato anatômico não foi melhor que o de espuma comum. O próprio travesseiro de cada um também não garantiu acordar sem dor3. No outro, um estudo pequeno com pessoas deitadas de barriga para cima, subir o travesseiro de 11 para 17 centímetros aumentou a pressão na cabeça e na nuca e mudou a curva do pescoço. Os autores lembram que não existe uma regra universal de altura4.
Uma referência que costuma ajudar: o travesseiro deve deixar a cabeça na linha do resto da coluna. De lado, isso pede um travesseiro mais alto, que preencha o espaço entre o ombro e a cabeça. De barriga para cima, um mais baixo. De bruços, bem baixo ou nenhum.
Na prática, isso confirma o que eu vejo: travesseiro caro às vezes não funciona. O que serve para uma pessoa não serve para a outra. Por isso o teste é seu.
Como testar o seu travesseiro
A primeira pergunta é simples: com qual travesseiro você acorda melhor, mais disposto? Para ser mais fiel ainda, teste o seu pescoço logo pela manhã.
Por que eu gosto de alguns travesseiros, e não de um só
O corpo não pede para ficar numa posição só a noite inteira. O sono oscila: vai ao sono profundo, volta ao sono mais raso, vai de novo ao profundo, várias vezes por noite. E a gente muda de posição ao longo desses ciclos. Num estudo que filmou o sono de adultos, as pessoas mudavam de posição de duas a quatro vezes por hora5.
Então a ideia é essa: de vez em quando mudar de postura, não deixar uma área tão comprimida, e alternar. Se está desconfortável, não se irrite, simplesmente mude. Por isso eu gosto de alguns travesseiros:
- Um entre as pernas, de vez em quando, se você se sente confortável.
- Um embaixo do joelho, e depois você muda de lado e passa para a outra perna.
- Outro para abraçar, para quem gosta. Tem gente que gosta.
Sempre o conforto é que manda.
E a melhor posição para dormir?
Não existe uma posição perfeita para todas as pessoas. A melhor postura é a próxima: vale de dia e vale de noite. Os poucos estudos que olharam a posição de dormir e a dor ao acordar sugerem que dormir de lado protege um pouco, mas eles são poucos e de qualidade limitada6. Aprenda a dormir: veja como o seu corpo responde e teste.
Quando a dor ao acordar pede avaliação
Se você troca de travesseiro, muda de posição, e o pescoço continua amanhecendo travado; se a dor desce para o braço ou o formigamento acorda você à noite; ou se a dor noturna não muda com nenhuma posição, vale uma avaliação. A dor que desce do pescoço para o braço eu explico em dor no pescoço que desce para o braço, e a relação entre o pescoço e a cabeça em dor de cabeça.
Perguntas frequentes
Travesseiro de látex é melhor?
É o que tem a melhor evidência até agora, ainda pequena. Uma revisão encontrou vantagem para o látex na dor do pescoço e na dor ao acordar, e num teste com pessoas que dormem de lado ele deu menos sintomas ao acordar que o de pena e o de espuma. Outra revisão, mais recente, não encontrou nenhum material claramente superior. O seu teste ao acordar diz mais do que o material.
Travesseiro alto ou baixo?
Depende do seu corpo e da posição em que você dorme. A altura e o formato mudam mais o alinhamento do pescoço do que o material, e não existe uma altura certa para todo mundo. A referência é deixar a cabeça na linha da coluna: de lado, mais alto, preenchendo o espaço entre o ombro e a cabeça; de barriga para cima, mais baixo. Teste alturas diferentes com o teste do pescoço ao acordar.
Travesseiro cervical ou ortopédico vale a pena?
Pode valer, se você acorda melhor com ele. Nenhum formato mostrou ser o melhor para todo mundo. Antes de gastar, teste: travesseiro caro às vezes não funciona.
Qual a melhor posição para dormir?
Não existe uma posição perfeita para todas as pessoas. A melhor postura é a próxima: mudar de posição ao longo da noite é natural e bom. Dormir de lado parece proteger um pouco, mas os estudos ainda são poucos.
Acordo com dor no pescoço. É o travesseiro?
Pode ser, e vale testar outro com o teste do pescoço ao acordar. Mas se a dor continua com travesseiros e posições diferentes, ou desce para o braço, o travesseiro provavelmente não é a causa principal, e vale uma avaliação.
O atendimento é por convênio?
O atendimento é particular. Alguns planos reembolsam parte do valor da consulta, cada um com a sua regra e o seu teto: consulte o seu plano. E por que poucas consultas costumam sair mais barato está em quanto custa fazer Osteopatia.
Referências científicas
- Ghosh S, Goyal M, Goyal K. Effect of pillow on pain, disability and sleep quality in patients with chronic neck pain: a systematic review. Rehabilitacion (Madr). 2025;59(3):100922. Link
- Chun-Yiu JP, Man-Ha ST, Chak-Lun AF. The effects of pillow designs on neck pain, waking symptoms, neck disability, sleep quality and spinal alignment in adults: a systematic review and meta-analysis. Clin Biomech. 2021;85:105353. Link
- Gordon SJ, Grimmer-Somers KA, Trott PH. Pillow use: the behavior of cervical stiffness, headache and scapular/arm pain. J Pain Res. 2010;3:137-45. Link
- Ren S, Wong DWC, Yang H, et al. Effect of pillow height on the biomechanics of the head-neck complex: investigation of the cranio-cervical pressure and cervical spine alignment. PeerJ. 2016;4:e2397. Link
- De Koninck J, Lorrain D, Gagnon P. Sleep positions and position shifts in five age groups: an ontogenetic picture. Sleep. 1992;15(2):143-9. Link
- Cary D, Briffa K, McKenna L. Identifying relationships between sleep posture and non-specific spinal symptoms in adults: a scoping review. BMJ Open. 2019;9(6):e027633. Link
Quem escreveu
Leonardo Schneider, PhD
Osteopata D.O., Fisioterapeuta desde 2009, mestre e doutor em Saúde Coletiva pela UFSC. Atende no Clube ASTEL, sala 7, R. Eduardo Gonçalves d'Ávila, 150, Itacorubi, Florianópolis/SC, e por teleconsulta.
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O que é Osteopatia
Osteopatia não é uma técnica. É um jeito de pensar a sua dor.
Acordar mais solto é o melhor teste.
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